Segunda-Feira, 26 de setembro

Essa semana foi bem estranha para mim, tive a ligeira impressão que a vida é muito ligeira. As almas se encontram, mas ela (a vida) passa muito rápido. As noites de domingo sempre são tristes para mim, a segunda sempre teve cara de enterro, mas na última uma dor e uma aflição tomaram conta de mim que tive ligeira certeza que o enterro seria o meu.

A dor era física, real, quase insuportável. A aflição era abstrata, bem mais insuportável que aquela dor que me consumia. Ler e ouvir o que li e ouvi não ajudaram muito, e porque tudo estaria acontecendo ao mesmo tempo? Qual teria sido meu pecado afinal?

Esses dias a morte veio sussurrar ao meu ouvido: Ei senhor, estou aqui! O ridículo em tudo é imaginar que ela veio te chamar por um pecado, ridículo é achar que você é tão importante assim na vida, quanto mais na vida de alguém.

Mas então porque eu senti tanto sua falta esses dias? É vida que segue…

Resolvi viver da forma que posso, não da forma que quero. Até que a morte novamente sussurre ao meu ouvido: Ei senhor, sois mortal, voltei!

For some reason I can’t explain
Once you’d gone there was never
Never an honest word
That was when I ruled the world

Feliz Aniversário

Não sei como começar o dia hoje, afinal não é uma segunda-feira como qualquer outra. Tudo está diferente e fora do lugar. Não é a primeira vez que não estou em casa, ao teu lado.

Já foram tantas noites em hoteis que o trabalho me fez passar que perdi as contas de quantas vez ao telefone te dei “boa noite” e “durma bem”, foram tantas vezes que eu ouvi o teu “volta logo para casa”. Nem sempre preciso estar tão longe, basta não estar perto de você.

Nesse tempo que estou na estrada nunca ela (a estrada) me pareceu tão longa e pesada. Nunca minha vontade de estar ai, do teu lado e poder acordar com o teu mau-humor me fez tanta falta.

Em nome de tantos projetos, de tantos objetivos e metas a cumprir em nossa vida, dessa vez não foi possível estar nesse dia ao teu lado. Mas logo estarei voltando para dizer o quanto eu te amo.

Feliz aniversário!

Domingo na praça

É estranho como o cheiro e o som de um lugar pode impregnar em sua memória e esse cheiro, esse som, pode criar a imagem desse lugar. Nem que seja por apenas um dia. O cheiro da praça no domingo é completamente diferente de qualquer outro dia da semana. Domingo a praça tem cheiro de pipoca, algodão doce, até a fonte tem mais cheiro de água do que em qualquer outro dia da semana. Domingo a praça tem som de pássaros, crianças, risadas leves, conversas, mães ralhando com os pequenos. Dá até para ouvir os pensamentos de velhos tarados olhando para as jovens mães enquanto elas se abaixam para limpar as mãos de um filho que caiu.

Rio Branco é uma cidade normal, com ruas normais, com um transito normal e praças normais. O centro de Rio Branco tem praças, museus, lanchonetes, bares e restaurantes como qualquer outra capital do Brasil. No centro da cidade existem poucas residências e diferente das cidades do interior as pessoas não costumam ficar nas calçadas conversando no final do dia, pelo menos no centro da cidade. Os bancos estão sempre cheios, as loterias estão sempre cheias, as escolas estão sempre cheias, as calçadas e ruas também.

Durante a semana a praça tem cheiro de óleo diesel misturado com gasolina, cheiro de fumaça, cheiro das frituras do almoço rápido de uma multidão de trabalhadores. Os homens e mulheres circulam suas elegantes fardas de lojas e repartições públicas. Os policiais andam mais atentos para os descuidistas que não descuidam daqueles que descuidam de suas bolsas e bolsos. As crianças estão pedindo esmola e cometendo pequenos delitos, consumindo cola de sapateiro para enganar a fome. Aqui e acolá é possível topar com um bêbedo tentando se equilibrar em suas pernas. Rio Branco é uma cidade normal, pelo menos durante a semana.

Talvez o que torne Rio Branco diferente, não tão especial, porém diferente, é a praça aos domingos. Toda a agitação da semana se vai, toda impureza das crianças se distrai, o som dos carros é trocado por um trem puxado por um carro velho com velhas músicas infantis que faz a alegria dos pequenos até hoje.

A fonte não tem mais um aspecto repugnante, a grama é mais aos domingos, até os policiais estão sorrindo como se também estivessem ali a passeio. E na segunda-feira tudo volta ao normal e pelo menos a praça do centro da cidade de Rio Branco, volta ao normal.

Justiça para quem precisa de Justiça

Naquele dia o personagem sabia que tinha um compromisso importante, porém estava reticente em ir, apesar de ser inviável não ir. Sua ida era compulsória e sua falta iria trazer consequências além de sua capacidade. O personagem saiu de casa naquele dia ciente de que aquele dia não seria um bom dia.

A chegada ao Fórum não foi agradável, da espera até a chamada longos quarenta e cinco minutos de indagações, ou apenas a mesma: o que eu estou fazendo aqui? E recordara de todos os fatos que o levaram até aquele momento. O dia em que adquiriu a linha telefônica, a espera até a instalação e as inúmeras ligações para tentar pedir serviços e desfazer-se de cobranças abusivas.

Personagem também se lembrou do dia inteiro de trabalho perdido quando foi ao PROCON pela primeira vez para ter algum tipo de apoio, lembrou também da decepção que teve no dia da audiência de conciliação naquele órgão, da expectativa que criou de ter finalmente o seu problema resolvido naquele dia e o quão frustrante foi quando nenhum representante da empresa de telecomunicação sequer deu explicação pela ausência.

Só restou então ao personagem recorrer à via judicial para resolver sua questão. Como se tratava apenas de uma cobrança indevida em sua conta telefônica ele queria apenas que lhe fossem devolvidos os valores cobrados a mais, sua causa era realmente pequena e para isso existem os tribunais de pequenas causas. Também não entendia toda aquela burocracia. Se já havia tentando uma conciliação no PROCON porque seria necessária outra conciliação no Fórum.

Quando foi chamado e encaminhava-se até a sala de audiência sentia-se mínimo, reduzido e humilhado frente à intimidade do conciliador com os advogados da empresa, pareciam amigos íntimos, de infância, quase irmãos. Falavam como se o personagem não estivesse ali, e parecia mesmo não estar, discutiam o seu processo afirmando a culpa era dele por não ter lido as letras mínimas do contrato onde era previsto, que ele, o personagem, poderia ser roubado. Falavam em idioma tão próprio que não parecia o português, mas de um juridiquês incompreensível.

Apesar de ter decorado de cor e salteado sua história para o conciliador sequer foi lhe dado à palavra, somente aos quatro advogados da empresa e saiu de lá certo que teria que voltar a uma nova audiência, agora de instrução e julgamento. Ciente que para reaver seus poucos reais cobrados a mais teria que contratar um advogado por alguns muitos reais e que saíra mais derrotado do que entrará naquele Fórum. Finalmente personagem não entendeu a parte da lei onde diz que a lei deve ser igual para todos, e, ali eram 4 advogados e ele sozinho.

Personagem é qualquer pessoa que recorra à justiça e tem que percorrer os caminhos tortuosos dos fóruns e enfrentar a sanha de advogados em “defender” seus contratantes. Personagem é pessoa comum, com um emprego comum, que mora em uma casa comum, não vive o cotidiano da justiça e quando precisa de seus serviços percebe nos servidores públicos o ânimo de quem está fazendo um favor e não lhe prestando um serviço.

Censura

A música versus a censura durante o regime de exceção no Brasil

Por: Eduardo Duarte, Jéssica Buchmeier e Karen Aiache. *

Censura consiste em qualquer tentativa de suprimir informação, opiniões e até formas de expressão, sejam essas jornalísticas, cientificas, políticas ou artísticas. O propósito é a manutenção do status quo, é o instrumento do Estado para o controle da sociedade, impede a liberdade de expressão criminalizando ações de comunicação.

No Brasil a censura oficialmente existiu durante todo o período colonial. Em 1934 foi decretada a censura por Getúlio Vargas, mas seu período marcante foi durante a ditadura de 1964 com a criação da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) que ganhou força ainda depois da entrada em vigor do AI-5.

O órgão chegou a examinar sessenta mil músicas e tinha sede em Brasília. Artistas das mais variadas vertentes tiveram seus trabalhos vetados como Chico Buarque, Belchior, Gilberto Gil, Zé Rodrix, Vinicius de Morares, Paulo Coelho, Caetano Veloso, Raul Seixas, Odair José, Geraldo Vandré, entre outros. Insatisfeitos com a repressão dos militares, compositores disseminaram suas críticas por meio de letras que se tornaram a trilha sonora da ditadura no Brasil.

Juan Trasmonte, agitador cultural, no artigo Afasta de mim esse cálice afirma que Raul Seixas teve 35 músicas censuradas e chegava a inventar palavras para driblar a censura. A letra original de Óculos Escuros do hoje consagrado escritor Paulo Coelho foi rejeitada por ser considerada “veiculo de mensagem subversiva”. Transmonte ainda lembra que o então popularíssimo Odair José teve diversas canções questionadas, entre elas Pare de Tomar a Pílula, o problema com ele não era o engajamento político, mas as letras que atentavam “contra a moral e os bons costumes”.

Outro caso emblemático foi o do cantor romântico Waldick Soriano, que em 74 teve um dos seus maiores sucessos censurado pelo regime de exceção, Tortura de Amor, simplesmente porque era proibido pronunciar a palavra Tortura. Em 2005, o jornalista e historiador Paulo César de Araújo publicou o livro “Eu não sou cachorro, não – Música popular cafona e ditadura militar” (Editora Record).

Algumas letras eram politicamente engajadas como Pra não dizer que não falei das flores de Geraldo Vandré, a música se tornou o hino da juventude que resistia a ditadura, É Proibido Proibir de Caetano Veloso um protesto explicito contra censura, e a Canção da Despedida de Geraldo Azevedo quando dizia “Já vou embora, mas sei que vou voltar, amor não chora, se eu volto é pra ficar” cantava aos artistas que eram deportados como Caetano Veloso e Gilberto Gil que foram obrigados a viver no exílio.

“Eu não tive problemas com a censura. A censura é que teve problemas comigo. Censuraram uma série de canções minhas como, por exemplo, a canção do operário de obra, a canção dos prisioneiros e outras canções que lidavam com assuntos limítrofes”, explica as proibições que enfrentou durante o regime militar José Rodrigues Trindade, o Zé Rodrix, artista crítico e de espírito naturalmente questionador em entrevista para o site Censura Musical.

No Brasil, lutava-se contra a ditadura militar. O golpe de 64, teve Castelo Branco como o primeiro de uma série de presidentes ditatoriais.

Enquanto Roberto Carlos e a Jovem Guarda tocavam ingênuas canções nas tardes de domingo, parte dos artistas fazia parte da resistência ao regime de uma maneira autônoma, fragmentada.

O lema “é proibido proibir” que, para os jovens franceses era um princípio de rebeldia nos protestos contra o conservadorismo e a favor da liberdade, espalhou-se pelo mundo e motivou os jovens no Brasil. A contracultura inaugurada pelos hippies norte-americanos, soava no Brasil como pura alienação. Mesmo assim, afrontava a ditadura.

Composta por Caetano Veloso, É proibido proibir ficará como um marco de coragem, apesar de todo o ritual de proibições. A concepção inovadora criou polêmica e dividiu a sociedade. Mesmo assim, abriu novos caminhos para o seu próprio desenvolvimento. O elemento alegórico e a ironia estão sempre presentes.

Além de estar criticamente atenta à interpretação cultural da contemporaneidade, como produto dos veículos de comunicação de massa a letra discorre sobre esses elementos.

Cálice” é uma das músicas mais panfletárias de Chico Buarque e em todos os versos são metáforas usadas para contar o drama da tortura no Brasil no período da ditadura militar. Faz uma analogia entre a Paixão de Cristo e o sofrimento vivido pela população aterrorizada com o regime autoritário. A ambiguidade da palavra “cálice” em relação ao imperativo “cale-se”, remete à atuação da censura.

“Para não dizer que não falei das flores”, é um apelo por mudanças. Às aspirações do povo que vivia um regime de opressão e instabilidade econômica, social e política. Traz no seu bojo toda a força, inconformidade e chamado de luta e de mudança, características próprias da juventude. Fala em união, igualdade, integração e abordam os problemas sociais da época, a pobreza, a reforma agrária, a vida dos soldados nos quartéis, a inutilidade das guerras conclamando a todos para uma ação conjunta de mudanças, sem demora.

Não é possível dizer que a censura acabou com a redemocratização do país durante os anos 80, talvez o órgão oficial tenha sido extinto e oficialmente a censura esteja banida, mas o Estado encontra outras formas de praticar a censura, usando de subterfúgios o Poder Judiciário para reprimir formas de expressão. A prática de um possível controle social da imprensa vem de encontro plena liberdade de expressão, preceitos básicos para uma sociedade livre e democrática.

O site Censura Nunca Mais sempre alerta as tentativas de censura no Brasil, denuncia constantemente quando os veículos são censurados pelo judiciário como o caso do jornal Estadão que no último dia 31 de julho foi colocado sob censura, e questiona: “mesmo depois de tudo o que passamos, de tudo o que aprendemos na nossa história, a censura está de volta. A pergunta é: o que virá depois da censura do Estadão? A censura de outros jornais? Da TV? Dos nossos Blogs? Twitter? Não, não podemos deixar isto acontecer.”

* Acadêmicos de Comunicação Social/ Jornalismo da Universidade Federal do Acre

All Star 80

O CD virou DVD, a música é MP3 e até mesmo o computador, está nos cyber cafés, a carta é e-mail, e o bilhete, mensagem SMS, a biblioteca agora é internet. Bem vindo ao ano 2000! Quem nunca sentiu saudade, que atire o primeiro bolachão. Você sabe o que é um bolachão? Então você tem mais de 30 anos, ou deve estar bem perto.

Sentir saudade é bom. Fica melhor quando o assunto é música, aquela baladinha que lhe traz o flash do primeiro beijo, o rock que embalou o primeiro porre, a primeira noite fora de casa, os primeiros ideais revolucionários, mesmo que a revolução fosse apenas sair de casa para uma festinha até mais tarde.

Nos anos 80 o contexto econômico político mudou. A hiperinflação associada à transição democrática foi pano de fundo para figuras como Renato Russo, Cazuza, Herbet Viana e tantos outros recriaram o cenário do rock nacional, e são referências até hoje, com refrões que são autênticas palavras de ordem. Um deles: “Que país é esse!”.

Fico com saudade quando ouço hoje no barzinho a voz e o violão cantar, que nossos sonhos foram todos vendidos, mas que ainda temos todo tempo do mundo. “Eu devia estar contente, mas confesso abestalhado que estou decepcionado”. De quebra a angústia de saber que ainda não sabemos escolher presidente e que a vida é a arte de viver da fé.

Não que falte coragem para a moçada de hoje (talvez até falte…). Mas velhos como eu gostam de viver de recordações, voltar no tempo, achar que ainda tem 18 anos e vai salvar o mundo de novo, mas…, “quem roubou nossa coragem”? Los Hermanos é muito bom, mas a Legião Urbana sempre será a melhor.

O dia em que meus pais fumaram maconha

Eu devia ter uns 17 anos na época, ou ainda ia fazer. Estava naquela idade meio rebelde sem causa, meio maluco beleza, quando a única preocupação que se tem eram as notas no final do bimestre, ao invés de contas para pagar no final do mês.

Naquela época os pais eram rígidos na criação dos filhos, e a nossa privacidade quando muito se restringia a fechar a porta do banheiro nos momentos de prazeres solitários.

Nessa noite como sempre minha mãe chegou de surpresa entrando no meu quarto, como nunca fui bom de matemática calculei mal a hora em que ela e meu pai voltariam do supermercado. Me pegou com a mão na massa,  pior que você talvez esteja imaginando, o tal dos prazeres solitários.

Eu estava “passando a goma”, apertando “unzinho“, um cigarrinho do capeta, pronto para fumar meu segundo baseado daquela noite, pegar os livros e estudar para a prova do dia seguinte.

Sem entender exatamente o que estava fazendo ela deu um grito:

- O que é isso Caduzinho, desde quando você fum… Ai meu Deus, você está usando tóxico!

Caindo em si e percebendo o que realmente estava acontecendo ali deu um grito ainda mais alto chamando por meu pai.

- Jota, vem aqui agora!

Eu imaginava um sermão, castigo, castração química, prisão domiciliar, ou entrar para um colégio militar, essas coisas que na época serviam para punir os filhos que cometiam desvio de conduta da moral e dos bons costumes.

A tradicional corça que eu estava levando naquele momento não estava surtindo efeito, afinal era o segundo que eu ia fumar, já estava abstraindo as palavras do meu sisudo pai, mas lembro de uma pergunta que me trouxe novamente à realidade daquele momento:

- Afinal o que você sente quando fuma isso?

Perguntar isso para um adolescente de 17 anos, quase entorpecido é algo perigoso e não medi as consequências dos meus atos e respondi com muita franqueza e naturalidade

- Ah pai, fico de onda, eu relaxo e penso melhor nas coisas…

- Mas como assim Carlos Eduardo? Explique-se melhor!

Disse o meu pai com cara de quase nenhum amigo sentindo que estava perdendo o controle da situação.

Sentindo que o debate estava a meu favor, subi o tom do discurso da apologia e me senti como Fernando Cabeira discursando no Congresso Nacional.

- São quase dez mil anos de uso sem sequer uma morte…

Achando que aquela conversa de maconheiro ia convencer o velho José Lacerda, eis que ele me interrompendo novamente e em uma cartada de mestre fez algo que realmente me deixou assustado, ou melhor apavorado.

- Me dá isso, vou provar!

Eu abri os olhos e juro pela alma de Bob Marley que a “viagem” do primeiro cigarrinho foi embora toda de uma vez só!

- Pai, você não vai gostar!

- Você não gosta Cadu, porque eu não iria?

E lá vai meu pai, sem muito prática, parecia que estava tentando fumar um cigarro de filtro, daqueles que a gente compra em qualquer posto de gasolina.

- Não pai, tem que segurar assim. Não, prende, puxa um pouco a fumaça, passa…  Não!!! Não passa…

Quando dei conta, estava ensinando meu pai a fumar maconha. Hoje fico pensando se aquele “fininho” que abriu os trabalhos estava com o prazo de validade vencido.

- Assim, mas eu não estou sentindo nada…

- Calma pai, isso não é veneno pra fazer efeito de imediato…

Ele deu uma risada bem frouxa como há muito tempo eu não via, e imaginei: acho que ele vai ficar muito “”loco”, melhor eu não fumar nada, afinal alguém tem que ficar careta nessa história.

E não ficou nisso, minha mãe, professora universitária, que só olhava falou.

- Me deixa provar também Jota!

- Pega Maria Rita, aqui, mas cuidado pra não apagar!

Eu já estava mais do que arrependido do dia em que comecei a fumar, acho que se eles queriam me repreender por conta de eu estar usando drogas já tinham mais do que conseguido, eu estava completamente apavorado.

- Nossa, Tita, que é isso aqui na sua cabeça?

- Não tem nada mãe é onda!

Eu dizia para minha mãe.

- O que é Tinha? Não tem nada, mas minha mão parece que tá maior você não acha?

- Não tem nada pai é onda!

Eu dizia para meu pai, e via os dois rirem compulsivamente.

- Ai Tita tá me dando uma fome? Vamos sair para comer alguma coisa?

- Mãe é larica! Cuidado com o regime!

- Que regime Caduzinho larga a mão de ser careta!

Caramba minha mãe estava me chamando de careta, até uns minutos atrás era eu que pensava isso deles.

- Vamos sair então, depois quem sabe a gente não vai dançar

Quando meu pai saiu do banho, percebi que ele tinha tirado aquele bigodão cultivava há anos e não estava mais com aquela cara de advogado e minha mãe dizendo.

- Nossa, como você ficou mais jovem, tá um gato!

Eu andava desesperado, de um lado para o outro. Estava  realmente preocupado com os meus pais, não seria uma boa ideia eles saírem sozinhos na rua naquele estado e ainda mais drogados, poderiam ser parados em alguma blitz, justo meu pai que era um advogado renomado.

- Pai, eu vou com vocês!

Disse numa tentativa de proteger meu pais.

- Claro que não né Cadu!

- É filho, você já é bastante crescido e pode ficar sozinho!

Juro para vocês, não consegui dormir enquanto meus pais não chegarão, mas ainda pude ouvir minha mãe surrando para o meu pai…

- Onde será que ele guarda hein?

Obesidade mental

Recebi esse texto a mais de cinco anos, como estamos em 2010 resolvi então compartilhar. Sinto não lembrar mais quem enviou e por estar apócrifo

Obesidade mental

Foi em 2010 que o prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro Mental Obesity, que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. “Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.”

Segundo o autor, “a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna fast food intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.”

O problema central está na família e na escola. “Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma ‘alimentação intelectual’ tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.”

Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado Os abutres, afirma: “O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.” O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. “Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.” Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.

“O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi asassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.”

As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. “Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma ‘idade das trevas’ ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.”

Aos meus pais

E eu nessa história toda…

Sendo bastante radical:
Se eu tivesse sido criado só pela minha mãe, seria um padre.
Se eu tivesse sido criado só pelo meu pai, seria nerd.
Se eu tivesse sido criado só comigo mesmo, seria um porra-louca
Como fui criado pelos dois, estou sempre numa batalha constante, procurando o equilíbrio.
Às vezes sou muito minha mãe, às vezes sou muito meu pai, mas quase sempre sou eu mesmo
Às vezes fico dias e dias estudando, lendo, pesquisando… ai minha mãe reclama.
Às vezes fico dias e dias na gandaia, saindo, me divertindo… ai meu pai reclama.
Às vezes fico só planejamento, pagando contas, calculando riscos, sou eu que reclamo comigo mesmo
Sou 8 ou 80, ainda não consegui alcançar o equilíbrio.
A verdade é que sou muito parecido com os dois, com meu pai e com minha mãe,
Sou autodidata, certinho, religioso, caridoso, profissional, perfeccionista, sincero, honesto, fiel, gosto de curtir a vida, correr riscos, me divertir…enfim… peguei coisas dos dois, para chegar onde estou

Carta às Mulheres

Prezada,
Permita-me uma breve apresentação. Sou homem. Falo em nome de todos que se identificam.

Seja você uma esposa, mãe, irmã, cunhada ou amante, por favor, leia.

Melhor, recorte e cole esse texto no espelho do banheiro ou Caixa Eletrônico 24h, locais onde vocês gastam maior parte do tempo.

De 11 de junho a 11 de julho será realizada a Copa do Mundo de Futebol.

Durante esse mês focaremos em tudo o que acontece na África do Sul. Deste lado do oceano, nenhum evento cultural, artístico ou familiar nos interessa.

Não iremos a festas de crianças, noivados ou casamentos. Nem vou comentar batizados e colações de grau.

O compromisso é em horário diferente do jogo? Não importa. Assistiremos debates, replays e treinos. Precisaremos acompanhar os pré e pós-jogos, mesmo em se tratando de um programa chinês comentando a estrutura tática da defesa de Gana. Isso será importante nas quartas-de-final. Você não vai querer entender. Mas será.

Se eu assistir um VT de Argélia e Eslovênia, não reclame.

Eu digo isso, mesmo se, hipoteticamente, as seleções já estiverem eliminadas, e elas entrarem em campo com o time reserva vestindo o uniforme de treino, e eu já souber que o jogo terminou em 0×0.

Não sensibilize-se com um francês ou italiano chorando a eliminação. Homenageie esse momento com um sorriso irônico e a pior frase possível para o momento: “daqui a quatro anos tem mais…”. Eles fariam o mesmo com você.
Tão interessante quanto ganhar, é eles perderem.

Em dia de jogo da Argentina, por exemplo, é muito bom ser brasileiro.

Assim como você, merecidamente, tem 1 dia do ano, nós, homens, temos 30, de quatro em quatro. Faça as contas e observe que assistiremos, no máximo, 15 Copas do Mundo por vida.

Respeite nossas prioridades!

E lembre-se: o Dia dos Namorados é durante a Copa do Mundo.

Seja boazinha.

(Achei no Buzz do André di Lucca)

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