All Star 80

O CD virou DVD, a música é MP3 e até mesmo o computador, está nos cyber cafés, a carta é e-mail, e o bilhete, mensagem SMS, a biblioteca agora é internet. Bem vindo ao ano 2000! Quem nunca sentiu saudade, que atire o primeiro bolachão. Você sabe o que é um bolachão? Então você tem mais de 30 anos, ou deve estar bem perto.

Sentir saudade é bom. Fica melhor quando o assunto é música, aquela baladinha que lhe traz o flash do primeiro beijo, o rock que embalou o primeiro porre, a primeira noite fora de casa, os primeiros ideais revolucionários, mesmo que a revolução fosse apenas sair de casa para uma festinha até mais tarde.

Nos anos 80 o contexto econômico político mudou. A hiperinflação associada à transição democrática foi pano de fundo para figuras como Renato Russo, Cazuza, Herbet Viana e tantos outros recriaram o cenário do rock nacional, e são referências até hoje, com refrões que são autênticas palavras de ordem. Um deles: “Que país é esse!”.

Fico com saudade quando ouço hoje no barzinho a voz e o violão cantar, que nossos sonhos foram todos vendidos, mas que ainda temos todo tempo do mundo. “Eu devia estar contente, mas confesso abestalhado que estou decepcionado”. De quebra a angústia de saber que ainda não sabemos escolher presidente e que a vida é a arte de viver da fé.

Não que falte coragem para a moçada de hoje (talvez até falte…). Mas velhos como eu gostam de viver de recordações, voltar no tempo, achar que ainda tem 18 anos e vai salvar o mundo de novo, mas…, “quem roubou nossa coragem”? Los Hermanos é muito bom, mas a Legião Urbana sempre será a melhor.

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