15 minutos, depois descanse em paz

Em tempos de Realitys Shows, surgiu o mito dos 15 minutos de fama. O viés aponta para uma tendência de que um dia, a maioria, nunca terá seu lugar ao sol, condenada a vala comum das celebridades: o ostracismo.

Eu já tive os meus 15 segundinhos, afinal já subi num palco, fui entrevistado para um grande jornal de circulação (regional) e à pouco tempo em uma revista nacional.

Mas o apogeu aconteceu a uns anos atrás, quando o Governo da Floresta promoveu um de seus mega eventos, o Show All Star 80, que trazia os grandes nomes do Rock Nacional dos anos 80 a muito esquecidos, empoeirados e mofando no ostracismo, ao estilo “por onde anda”. Tais “nomes”  de grandes não tinham nada. Eram Richie, Léo Jaime, o ex Abóbora Selvagem Leoni, e o ex Blitz Evandro Mesquita, a partir daí já deu pra sentir o nível do show, mas como em Rio Branco raramente acontece alguma lá fomos nós na companhia de alguns amigos.

A totalidade do público quase fica restrita a minha pessoa, alguns amigos, outros gatos pingados (um pouco mais que um jogo do Botafogo) e o Generalato da tropa de choque do Governo da Floresta.

No fundo o show foi até “bonzin” com aquelas baladinhas mela-cueca dos anos 80, aqueles rock no sense, até a entrada do Sr. Leo Jaime no auge de sua forma (redonda) e dotado da pouca altura que Deus lhe deu.

Na entrada eu já cutuquei um amigo e falei:

- “Num tá a cara do Maradona?”.

Foi o suficiente para ficarmos aos berros gritando por “Maradooonnaaa”.

Só que na pausa entre uma música e outra o infeliz escutou e fez aquele gesto obsceno agarrando firmemente os testículos, balançando e bradando com indignação

- “Maradona é o Caralho!” (sic)

A turma toda que tava comigo comemorou aquilo como se fosse um gol (de placa). Foi o suficiente para respirar fundo e dizer: Fiquei famoso!

SRN!!!

Tortura para sempre

Há pouco mais de um ano ele nos deixou, mas não ficamos órfãos porque seu talento ficou imortalizado em sua obra. Eurípedes Waldick Soriano nasceu em Caetité, interior da Bahia, em  13 de maio de 1933. Cantor, compositor de músicas românticas hoje classificadas como brega, ocupou sempre um status de marginal dentro do estilo romântico.

Em 1950 Waldick Soriano passou a se tornar conhecido com a música “Quem és tu”, ao longo de sua carreira gravou mais de 30 discos e tem sucessos inesquecíveis como: Eu não sou cachorro não, Torturas de Amor, Perfume de Gardênia, Todo Homem Chora.

Em 1974 Waldick Soriano teve um dos seus maiores sucessos censurado pelo regime de exceção, “Tortura de Amor”, simplesmente porque era proibido pronunciar a palavra Tortura. Por conta da censura sofrida durante a ditadura militar, em 2005, o jornalista e historiador Paulo César de Araújo publicou o livro “Eu não sou cachorro, não – Música popular cafona e ditadura militar” (Editora Record).

A obra de Waldick permeia todas as classes sociais do Brasil e o cantor tornou-se o símbolo desse estilo romântico rasgado, alcunhado de brega.

Em 4 de setembro de 2008, no Rio de Janeiro o cantor faleceu, vítima de câncer, mas em 2007 teve o prazer de ver sua vida retratada no documentário “Sempre no Meu Coração” de Patrícia Pillar.

Fonte: Arquivo pessoal, Wikipédia, YouTube

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